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10 dezembro 2008 ]
 Vicky Cristina Barcelona
– Gostaria de convidá-las para passar o fim de semana comigo. Nós iremos comer, beber um bom vinho, e faremos amor. – Quem exatamente irá fazer amor? – Se tudo der certo, nós três. Vicky Cristina Barcelona está em cartaz no Brasil há algumas semanas, mas o burburinho continua, e com razão. A premissa é simples: duas amigas americanas decidem passar o verão em Barcelona. Cristina (Scarlett Johansson) continua frustrada depois de escrever, dirigir e atuar em um curta, é a artista que busca alguma forma de expressar-se e sabe apenas o que não quer. Vicky (Rebecca Hall) escreve uma tese de mestrado sobre a identidade catalã, e é a estudante que parece saber exatamente o que quer, e se rende ao toque do violão espanhol. Elas caminham, conhecem a cidade e se encantam, mas cabe a Javier Bardem apresentar às jovens um verão realmente espanhol na visão de Woody Allen, que transforma Barcelona em lugar onde tudo pode acontecer, mas sem fugir do cotidiano. O assassino psicótico dos irmãos Coen é, agora, o pintor catalão – naturalmente sexy – Juan Antonio, que ama todas e ama ninguém. E como se duas mulheres não fossem o bastante, Allen presenteia o público com Penélope Cruz na pele de María Elena, a ex-mulher de Juan Antonio. Linda e mais espanhola do que nunca ela é a artista que vive em uma realidade só dela, com talentos que se perdem em algo que parece loucura, e rende as cenas mais engraçadas do filme. Juan Antonio as une, mas não em torno dele. Estão todos, na verdade, em busca do seu prazer, daquilo que os inspire e dê felicidade, seja qual for o conceito de felicidade que cada um tem. Os personagens do filme abraçam a sua condição, suas carências e loucuras, e principalmente abraçam a sua realidade da forma mais honesta, às vezes tão maduros que incomodam. A sensação que se tem é que os personagens extrapolam a tela. Woody Allen sabe exatamente onde fica a linha tênue que separa o clichê barato do elemento cômico que dá leveza a um filme, apesar de tratar de algo tão denso como a natureza dos relacionamentos, o sofrimento e o desejo em cada mudança, a cada lugar novo que se visita, ou mesmo sem sair do quarto. Vicky Cristina Barcelona é uma coreografia, seus personagens vão e vêem tentando responder se o amor autêntico dá sentido à vida, entre outras perguntas. O engraçado é que a resposta pode estar justamente na música que os guia, na trilha sonora fofíssima, cantada por Giulia & Los Tellarini, que diz: "Por que tanto perder-se, tanto buscar-se sem encontra-se? Barcelona!”. “A vida é muito curta, pode ser monótona”, diria Juan Antonio, e por essa lógica não há motivos para recusar uma viagem até alguma cidade próxima, simplesmente para apreciar boa arte. E não haveria motivo, também, para recusar uma ida ao cinema mais próximo, apreciar Vicky, Cristina e Barcelona, a cidade que dispensa maiores comentários. Por Thaíza Dias

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